Uma lição sobre o suicídio

Olá pessoal, como têm passado? Na medida possível, creio, que todos estejam bem, certo?
Então, não iria me pronunciar sobre o assunto porque o ocorrido com Chester Bennington, vocalista do Linkin Park, está mais do que conhecido e repercutido, porém senti de comentar sobre a questão porque foi algo que me tocou bastante já que o Linkin Park (clique AQUI e veja o comunicado oficial que a banda fez sobre o falecimento de Chester) faz parte da minha vida desde a adolescência, sendo que esta foi a fase que mais escutei as músicas da banda, não que ainda não escute, mas hoje suas canções dividem espaço com mais um monte de outras músicas de artistas de estilos diversos.
Bom, como todos já sabemos, Chester, no último dia 20 de julho, cometeu suicídio (algo já confirmado pela perícia) quando todos nós ainda tentávamos nos recuperar do também suicídio de Chris Cornell, vocalista das bandas Audioslave, Soundgarden e Temple of the Dog. Ambos se enforcaram e também eram muito amigos, tanto que Chester, de acordo com vários veículos de informação, estaria profundamente chateado pela morte de Cornell e, coincidência ou não, tirou a própria vida no dia em que Cornell faria aniversário. Trágico, não?



Da esquerda para direita: Chester Bennington e Crhis Cornell 


A morte deles me fez lembrar de outro caso "recente" de suicídio, o do ator norte-americano Robin Williams, morto em 11 de agosto de 2014 por asfixia. No caso de Williams, a morte adveio por causa da "demência de corpos de Lewy (DCL), doença neurodegenerativa progressiva, caracterizada pelo acúmulo de proteínas anormais nas células do cérebro, chamados de corpos de Lewy" (Ego). A doença, entre tantos outros fatores, desencadeou no ator um quadro agudo de depressão que culminou com seu suicídio, algo que chocou a todos porque ninguém poderia imaginar... Reformulando: na questão do suicídio, ninguém nunca imagina.
Enfim, poderia ficar o post inteiro falando sobre quem tirou a própria vida, dando exemplos bem conhecidos, como o Curt Cobain, vocalista do Nirvana e do fotógrafo ganhador do Pulitzer, Kevin Carter; todavia, o post que vos apresento é mais para refletir a cerca do suicídio e demonstrar que, ao contrário do que muitos falam, ele não está atualmente na moda, pelo contrário, sempre esteve aí_ vide como exemplo o Japão, país com o maior índice de suicídio de mundo, algo cultural? Creio que não, mas este é um tema para post separado deste que vos apresento.
Exemplos de "discussão" sobre o suicídio podem ser encontrados na arte, como por meio da música, basta voltarmos um pouco no tempo e lembrar da canção Jeremy, do grupo de rock norte-americano, Pearl Jam, que chamou atenção para o assunto lá no começo da década de 90, quando Eddie Vedder compôs a canção baseado em duas situações reais que mexeram com ele, sendo a mais conhecida o suicídio de Jeremy Wade Delle, jovem que com apenas 15 anos se matou diante dos colegas de classe no ano de 1991. Sobre a inspiração para compor a canção, Vedder, numa entrevista, disse:

"Veio de um pequeno parágrafo em um papel, significando que você se mata e faz um sacrifício como forma de vingança. É só o que você vai conseguir, um parágrafo no jornal. Dezessete graus e nublado numa vizinhança suburbana. Esse é o começo do clipe, que é igual ao final do clipe, nada acontece … nada muda. O mundo continua e você se foi. A melhor vingança é viver e provar que você consegue. Seja mais forte que aquelas pessoas. E aí você poderá voltar."



Jeremy (Pearl Jam) - clipe legendado


Essas palavras de Vedder realmente são muito esclarecidas e elucidam o pensamento da maioria das pessoas, menos de alguém que tenciona se matar, pois tirar a própria vida é o último recurso para uma alma atormentada, talvez por isso é que arte desde sempre se encarregue de tentar por para fora aquilo que faz mal no interior de cada um, basta ver como Vincent Willem van Gogh buscou externar, em certa medida, sua desolação interior por meio de seus quadros, afinal são muitas as teorias sobre a composição das cores em suas pinturas e de como elas poderiam indicar seu estado de espírito, não somente as cores, mas as fortes pinceladas nas telas são indícios deste estado perturbador, segundo os especialistas em arte. Infelizmente Van Gogh acabou se matando!


Temos também o cinema e a televisão, com contribuições para o assunto sobre o suicídio, com produções que variam muito entre si, mas que mantêm a mesma essência, a de reflexão sobre o tema. Filmes como Pach Adams, na verdade o foco do filme, entre outras coisas, a meu ver, é o fato da superação da tentativa de suicídio do médico que empresta seu nome ao filme, mas não que não exista uma série de sequências no decorrer desta trama que culmine numa tragédia que nos faz refletir também; Os Treze Porquês, que passado o frisson da série, para muitos, romantiza o suicídio (clique AQUI e leia uma matéria sobre a série) ; A Conquista da Honra, que não gira necessariamente em torno do suicídio, mas que apresenta o dilema moral de alguns personagens e em como a atitude de um deles impacta a todos os demais e Cartas de Iwo Jima, rodado paralelamente ao
Conquista da Honra, narra os acontecimentos da segunda guerra mundial pela perspectiva dos japoneses, tendo a questão do suicídio numa perspectiva diferente que a de seu filme irmão e mesmo que ambos não tenham como foco o suicídio em si, é interessante como ele tem um papel dramáticos nas duas tramas; As Vantagens de Ser Invisível, um filme que mostra "como prosseguir" após uma grande tragédia se abater sobre alguém, tudo de maneira sensível e bem dosada.
Por fim e não menos importante, temos a literatura que, desde sempre (quando digo desde sempre, me baseio nos próprios textos antiguissimos, como os gregos), trata do suicídio de modo variado, tendo impulsionado o assunto, muito devido ao Romantismo_ não vou me alongar aqui sobre o que foi o Romantismo e suas características porque este não é o foco do post, portanto, não esperem análises apuradas, até mesmo porque seria preciso, no mínimo, escrever um livro para tratar do assunto_ , mais especificamente sobre Goethe e sua obra "perturbadora" Os Sofrimentos do Jovem Werther que colaborou, e muito, para uma onda de suicídio na época de seu lançamento, assim:



"Ainda que a onda suicida relacionada a Werther tenha se alastrado pela Europa, a obra em si, por sua vez, fora evidenciada pela crítica com grande entusiasmo. Afinal, não se tratava apenas de um romance epistolar como já escrito por alguns outros escritores de sua época, porém Goethe traduziu com grande maestria os sentimentos díspares da natureza humana sob o seio de uma paixão que deslumbra ao mesmo tempo em que dilacera obscuramente a vida de um ser." (A maldição goethiana: a maior onda de suicídios em massa da história da literatura por: Márwio Câmara)


Mais uma vez poderia encher este post com inúmeros exemplos de como o tema do suicídio norteia a literatura, indo de Shakespeare até Camilo Castelo Branco, mas não farei isso porque dos clássicos, ao menos boa parte das pessoas, está careca de saber que estes sempre abordarão temas universais, por isso são clássicos e também porque são atemporais e dispensam qualquer tentativa de defesa, por isso apenas gostaria de apontar uma tendência da literatura contemporânea que continua a produzir histórias sobre essa temática, para ser bem mais específica, gostaria de enfatizar como cada vez mais a literatura voltada ao público juvenil tem lançado mão da questão do suicídio como meio de discutir a assunto, chamando a atenção sobre como é importante falar sobre ele. Recentemente li um livro chamado Garota em Pedaços (confira a resenha desse livro clicando AQUI) , mas já havia lido outro livro chamado Por lugares Incríveis (clique AQUI e leia a resenha) que me fez perceber essa velha-nova-tendência e, enfim, me fez refletir um pouco mais sobre isso.
A morte prematura de pessoas conhecidas, como Chester Bennington que, como havia mencionado no início deste post, me tocou bastante, serviu para que eu concluísse uma grande lição sobre o suicídio: não podemos subestimar a dor de ninguém porque somente quem a sente é capaz de dimensioná-la.
Se você está enfrentando depressão e tem pensado muito em suicídio, posso imaginar o quanto é difícil prosseguir, mas tente se abrir com alguém. Busque ajuda! Nem tudo está perdido e não há dor que possa durar para sempre. Acredite!!!




Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Ipub)

Tel: (21) 3938-5574 / 3938-5578

Acesse: www.ipub.ufrj.br/


Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos (Abrata)

Tel: (11) 3256-4831

Acesse: www.abrata.org.br/


Centro de Valorização da Vida (CVV)

Tel: 141

Acesse: www.cvv.org.br/


Rede Brasileira de Prevenção ao Suicídio (Rebraps)


Acesse: www.rebraps.com.br/


Fênix - Associação pró Saúde Mental

Tel: (11) 3208-1225

Acesse: www.fenix.org.br

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